segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O trabalhador do conhecimento e a produtividade

Ao longo do século XX, podemos observar o modo como o trabalhador era visto e tratado pelos teóricos da administração no início do século. Taylor e seus colegas do movimento da Administração Cientifica acreditavam que a prosperidade econômica somente seria viabilizada com a maximização da produtividade dos trabalhadores, porém a preocupação era total em como realizar cada tarefa. Hoje em dia, a preocupação continua a ser com a produtividade, mas o foco para sua obtenção não mais é a tarefa e sim o trabalho intelectual. O trabalhador do conhecimento é o grande responsável pela produtividade do trabalho. As organizações não podem mais negligenciar políticas que busquem a satisfação desses trabalhadores sob pena de perder suas contribuições para o sucesso empresarial.
O trabalhador do conhecimento é definido como indivíduo que aplica ao trabalho produtivo ideias, conceitos e informações, mais do que força física e habilidade manual, e que são valorizados por sua capacidade de atuar com o conhecimento de sua área. Conceito lançado em 1969 por Peter Ferdinand Drucker em seu livro “Uma era de descontinuidade”.
Alvin Toffler na obra ‘A terceira onda’ de 1980 afirma que estamos passando por grandes mudanças, uma poderosa maré se eleva através de grande parte do mundo inteiro, criando um ambiente novo, frequentemente extravagante, para trabalhar, brincar, casar-se, criar filhos e aposentar-se. Os sistemas de valores se estilhaçam e se destroem, enquanto os botes salva-vidas da família, a igreja e o estado são violentamente sacudidos.
Como podemos constatar, vivemos em uma era de transformações profundas, isso impacta toda sociedade, e tem grande relevância para as organizações, sejam públicas ou privadas.
Conforme relata o mesmo Drucker em 2002, ao contrário do passado quando os superiores já haviam desempenhado as atividades de seus subordinados, isso hoje não mais acontece como regra. Isso faz com que esses trabalhadores que aplicam conhecimento de modo continuo ao trabalho possam sabotar mesmo o mais capaz dos superiores, assim como o mais autocrático. Os trabalhadores do conhecimento não devem ser tratados como subordinados; “são associados”, pois, assim que ultrapassam o estágio de aprendizes, com certeza sabem mais das suas tarefas do que seu patrão.
Como então administrar os trabalhadores do conhecimento? Numa relação em que subordinados e superiores se nivelam, o ideal é os empregados serem tratados como parceiros, isso considerando o conceito de parceria, onde todos são iguais, portanto, não podem receber ordens. Devem ser persuadidos.
Segundo relata Domenico De Massi em 2000, um dos maiores sociólogos da atualidade, estamos saindo de uma sociedade industrial, onde prevaleceu a atividade física no trabalho, para a sociedade pós-industrial, onde o trabalho produtivo será predominantemente intelectual criativo, privilegiando o que chama de ócio criativo, onde as máquinas trabalharão num ritmo acelerado e os seres humanos terão mais tempo para refletir e idear. A sociedade pós-industrial exige para a produtividade, a concepção de ideias, um corpo quieto e uma mente irrequieta. O trabalho físico, como já dissemos, é delegado às máquinas, e o trabalho ideativo, aos homens.
Em seu livro “Desafios Gerenciais para o Século XXI”, Drucker discorre sobre a produtividade do trabalhador do conhecimento. Nele afirma que a organização empregadora terá de redefinir sua finalidade, passando a ser dupla, satisfazer os proprietários legais e os trabalhadores do conhecimento. É precondição essencial de sobrevivência e sucesso das organizações, a capacidade de atrair, reter e tornar produtivo os trabalhadores. Os trabalhadores do conhecimento são mais jovens e altamente especializados.
A versão moderna da Administração traz o ser humano para o centro das preocupações dos gestores contemporâneos. As organizações devem considerar as pessoas como pessoas e não como meros recursos, ou seja, dotados de personalidade, história pessoal, dotados de competências indispensáveis. As pessoas fazem investimentos na organização, dessa forma deve haver reciprocidade entre organização e pessoas, uma relação de parceria. As pessoas agora são consideradas parceiras e não mais apenas agentes passivos, ganhando papel de destaque, acima dos demais recursos organizacionais.

Autor: João Batista Martins da Conceição
:: Graduado em Administração pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas - FACSAOLUIS :: Especialista em Administração e Marketing pelo Centro Universitário Internacional - UNINTER :: Atualmente é gestor da Seção de Planejamento e Acompanhamento de Vendas e Avaliação Comercial no Maranhão na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

O trabalhador do conhecimento e a produtividade

Ao longo do século XX, podemos observar o modo como o trabalhador era visto e tratado pelos teóricos da administração no início do século...